Amante dos fios crochê Amante DOS FIOS crochê
25 de maio de 2026 · 13 min de leitura

Ponto baixo no crochê: o passo a passo definitivo (foto a foto)

Aprenda o ponto baixo no crochê passo a passo, com os 3 erros mais comuns que travam iniciantes e como praticar de verdade até sair uniforme.

Ponto baixo no crochê: o passo a passo definitivo (foto a foto)

Se eu pudesse voltar no tempo e dizer uma coisa pra mim mesma de quando comecei — quando eu sentei pra aprender crochê pela primeira vez e quase desisti em meia hora —, seria isto: passa três semanas só no ponto baixo. Não pula. Não vai pra receita bonita do Pinterest na segunda aula. Fica no ponto baixo até ele sair uniforme, sem você pensar.

Porque o ponto baixo é a base de praticamente tudo que vale a pena no crochê. Amigurumi inteiro é feito dele. Porta-copos, tapetinho, sousplat, bolsinha, fundo de cesto — tudo PB. Se você domina o ponto baixo, você já consegue fazer 70% das peças que vê por aí. Se você não domina, qualquer projeto vai sair torto e você vai achar que crochê "não é pra você".

Nove em cada dez alunas que chegam me dizendo "não tenho jeito" só não passaram tempo suficiente no ponto baixo. É chato, é repetitivo, e é o que separa quem desiste de quem fica.

Por que o ponto baixo é a base de quase tudo

Antes de te mostrar o passo a passo, deixa eu te explicar por que vale a pena fixar nele:

Os outros pontos (alto, alto duplo, leque, pipoca) são mais soltos, mais decorativos. Servem pra textura, pra desenho, pra peça pra vestir. Mas a estrutura vem do ponto baixo.

O pré-requisito: você já tem que saber correntinha

Se você ainda não fez correntinha nenhuma na vida, para tudo e vai aprender ela primeiro. O ponto baixo se monta sobre uma carreira de correntinhas — sem essa base, não tem onde fincar a agulha.

Correntinha é o "abc" do crochê. Faça umas 50 correntinhas seguidinhas em uma noite, só pra mão pegar o jeito. Depois volta aqui.

Anatomia visual do ponto: o "V" das duas alças

Aqui é onde a maioria dos tutoriais falha. Eles começam o passo a passo sem explicar o que você tá olhando no trabalho. Resultado: você não sabe onde enfiar a agulha.

Pega um trabalho de crochê — qualquer um, mesmo que feio — e olha de cima. Você vai ver fileiras de pontinhos que parecem letras "V" pequenininhas, uma do lado da outra. Cada V é um ponto.

Cada V tem duas pernas — chamamos de:

Quando você faz o ponto baixo "normal", pega as duas alças — enfia a agulha por baixo do V inteiro. Isso é o padrão. Guarda essa informação que vou voltar nela.

O passo a passo em 6 etapas

Assumindo que você já tem uma carreira de correntinhas pronta e fez uma correntinha extra de "subida" no começo (pra dar altura ao ponto baixo):

1) Insere a agulha sob as duas alças da segunda correntinha da carreira anterior (a primeira é a de subida, pula). A agulha entra por baixo do "V" inteiro.

2) Lança o fio na agulha — isto é, passa o fio do trabalho por cima do gancho da agulha, do lado de trás pra frente, deixando o fio "abraçado" no gancho.

3) Puxa esse fio de volta pelo buraco — você puxa o fio de volta passando pelo ponto onde enfiou a agulha. Agora você tem 2 alças na agulha.

4) Lança o fio na agulha de novo — repete o gesto do passo 2.

5) Puxa esse fio pelas 2 alças que estavam na agulha — de uma vez só. Agora sobrou 1 alça na agulha.

6) Pronto. Você fez 1 ponto baixo. Para o próximo, vai pra correntinha seguinte (ou ponto seguinte) e repete tudo desde o passo 1.

Lê o passo a passo umas três vezes. Depois pega a agulha e tenta fazer sem olhar de novo. Vai errar. Tenta de novo. Errou de novo. Tenta. Essa é a parte chata e a parte que ninguém pula.

Eu não memorizei esse passo a passo lendo. Memorizei fazendo. Foram uns 200 pontos até a mão fazer sozinha.

Ponto baixo no anel mágico (pro início do amigurumi)

Quando você for fazer amigurumi, a primeira carreira não é em correntinha — é em um anel chamado anel mágico ou círculo mágico. É um laço de fio que você forma com os dedos, segura na agulha, e faz os primeiros 6 pontos baixos dentro desse laço.

Depois você puxa a pontinha do fio e o anel fecha, ficando um círculo perfeito sem buraco no meio. É o que faz o focinho do urso, a cabeça do gato, a base do amigurumi.

O ponto baixo no anel mágico é exatamente o mesmo PB que descrevi nas 6 etapas — só muda onde você enfia a agulha. Em vez de enfiar numa correntinha, você enfia dentro do laço de fio.

Ponto baixo só na alça de trás (textura listrada)

Aqui entra aquela informação que guardei lá em cima. Se em vez de pegar as duas alças do V, você pega só a alça de trás (a perna do V mais longe de você), o ponto fica diferente — e a peça ganha uma textura horizontal listradinha, com movimento.

Isso se chama ponto baixo na alça de trás (em receitas: PB ALT, ou em inglês, sc BLO — "back loop only"). Muito usado em:

É o mesmo ponto, mesma técnica, só muda onde a agulha entra. Quando você dominar o PB tradicional, experimenta esse — é o jeito mais fácil de mudar a cara da sua peça sem aprender ponto novo.

Ponto baixíssimo: o primo arrematador

Ainda existe uma variação mais firme que o PB, chamada ponto baixíssimo (em inglês, slip stitch — sl st). Ela é tão firme que praticamente não tem altura — serve quase só pra arremate ou pra unir peças.

Você não vai fazer uma peça inteira de ponto baixíssimo (ficaria dura feito pedra), mas vai usar muito pra fechar carreira em peças circulares, e pra emendar partes do amigurumi.

A técnica é parecida: insere agulha, lança o fio, puxa pelas alças e pela alça da agulha ao mesmo tempo. Em vez de ter 2 etapas de "lançar e puxar", tem 1 só.

Os 3 erros que travam todo mundo

Esses três eu vejo em toda turma. Anota:

Erro 1: apertar demais a alça na agulha

Você acabou de puxar o fio, tem 2 alças na agulha, e quando vai puxar pelo segundo lance, a agulha não passa. Trava. Você força. Quebra o fio. Chora.

Solução: deixa as alças frouxas na agulha. Não puxa o fio com força no passo 3 — só puxa o suficiente pra ter a alça formada. Mão de iniciante tende a apertar tudo por nervosismo. Relaxa o ombro, solta o pulso, respira.

Erro 2: esquecer de "lançar o fio" antes de puxar

Você insere a agulha, puxa o fio direto pelas 2 alças sem lançar. Resultado: sai uma correntinha em cima da correntinha, não um ponto baixo. A peça nem cresce em altura, fica achatada, e você não entende o que aconteceu.

Solução: lança o fio é parte do ponto. Toda vez que puxar, lance primeiro. Vira mantra: "lança, puxa, lança, puxa".

Erro 3: inserir a agulha só na alça da frente

Você pega só a perninha do V mais perto de você, em vez das duas. Resultado: peça torta, com bordas que enrolam, ponto sem firmeza, com furinhos visíveis.

Solução: enfia a agulha bem embaixo do V inteiro, sentindo as duas alças contra a agulha. No começo enxerga; depois a mão sente sozinha.

Cronograma de prática realista

Eu sei que você quer pular pra receita do urso ofuscante do Pinterest. Mas se você quer que ele saia bonito, faz isso primeiro:

Semana 1: 50 pontos baixos em linha reta, todo dia. 10 minutos. Não importa se sai torto.

Semana 2: tenta fazer 50 PBs e olha — eles estão do mesmo tamanho? Se sim, ótimo. Se não, continua mais uma semana.

Semana 3: faz um retângulo de 20 PB de largura por 10 carreiras de altura. Vira a peça no fim. Olha as bordas — estão retas? Se as bordas estão "encolhendo" ou "esticando", você tá perdendo ou ganhando ponto sem perceber. Continua mais uma semana.

Semana 4: agora você pode começar amigurumi simples. Tipo uma bolinha. Não pula pra urso ainda — bolinha primeiro.

Sei que parece lento. É lento mesmo. Mas é como pedreiro aprendendo a fazer parede — primeiro mês é só alvenaria reta. Depois disso você constrói qualquer coisa.

Quantos PB cabem em 1 hora de prática real

Pra calibrar expectativa:

Se você está fazendo 60 PBs em uma hora e se sentindo lenta, você está exatamente no ritmo certo. Eu fui assim. Toda aluna minha foi assim. Não tem atalho.

Abreviação em receitas brasileiras e americanas

Quando você começar a seguir receitas, vai ver siglas. Decora essas:

Cuidado com a pegadinha: o "ponto alto" brasileiro (PA) é o que os americanos chamam de "double crochet" (dc), não "single crochet". Os nomes não batem em tradução direta. Sempre confere a sigla com a referência.

Minha história com 800 pontos baixos

No meu primeiro mês de crochê, fiz uma estimativa por baixo: uns 800 pontos baixos. A maioria foi pro lixo. Carreirinhas tortas, projetinhos que comecei e abandonei, retângulos que viraram trapo.

Por muito tempo achei que aquilo tinha sido desperdício. Hoje sei que era a prática. Cada um daqueles 800 pontos torto ensinou a minha mão alguma coisa — onde apertar, onde soltar, como segurar o fio com o dedinho mindinho, em que altura do gancho enrolar.

Quando alguém me diz "Helô, fiz dez peças e nada sai bom", eu respondo a mesma coisa: você fez dez peças. Vai fazer mais cinquenta. E depois mais cem. E aí sim começa a sair bom. Crochê não responde a talento. Responde a horas.

Não tem como acelerar. Mas tem como tornar essas horas mais leves — com a técnica certa desde o começo, e com alguém pra apontar quando você tá pegando vício.

Perguntas que sempre me fazem sobre ponto baixo

Quanto tempo até eu fazer um PB uniforme?

Variável, mas a média realista é 3 a 4 semanas de prática diária de 10 a 20 minutos. Algumas alunas chegam em 2 semanas. Outras em 6. Não significa nada além do tempo individual de cada mão.

Meu PB tá saindo "torto" pra um lado. O que é?

Quase sempre é tensão desigual — você aperta mais em uns pontos do que em outros. Diminui a velocidade, foca em deixar cada alça com o mesmo "frouxo". Em duas semanas equilibra.

Posso fazer amigurumi sem dominar PB?

Pode tentar, mas o resultado vai te frustrar. Amigurumi é PB do começo ao fim — se o seu PB tá inconsistente, o bichinho sai com cabeça maior que o corpo, formato torto, costura aparente. Vale o tempo de fixar antes.

Diferença entre PB e meio ponto alto?

Meio ponto alto (MPA) é "meio caminho" entre PB e PA — você lança o fio na agulha antes de inserir, faz a entrada, puxa, e depois puxa pelas 3 alças de uma vez só. Fica um pouco mais alto que o PB e um pouco menos firme. Bom pra mantas e gorros. Você aprende ele depois do PB.


Se você travou no ponto baixo ou se sente que tá fazendo "errado" mas não sabe o quê, nos meus cursos eu dedico um bloco inteiro pra essa transição da correntinha pro PB — passo a passo, em vídeo, com câmera fechada nas mãos. É a aula que eu queria ter recebido em 2019.

E pra quem quer continuar praticando com vídeos curtos, receitas guiadas e suporte semanal, a área de alunas tem trilha do iniciante absoluto até amigurumi intermediário. Sem pressa, no seu tempo — porque é assim que se aprende crochê de verdade.

Quer aprender comigo?

Acesso vitalício aos 3 cursos — Amigurumi Infantil, Religioso e Mesa Posta — por R$ 167, pagamento único. Aulas gravadas, no seu ritmo.

Conhecer os cursos →